domingo, 11 de setembro de 2011

Vendo-me



           Vendo meus valores, sem me preocupar com os anos que levei para adquiri-los e o quanto os defendi.
            Vendo minha aparência diante do espelho. Corto meu cabelo, faço minha barba e cubro minhas tatuagens para ser aceito.
            Vendo meus ideais, e percebo o quanto me contento em receber o mínimo trabalhando o máximo.
            Vendo pessoas, e as vejo com essa venda negra, cegando cada um que adquire o que induzo a adquirir.
           Vendo coisas apenas com meus olhos cegos pela venda escura que puseram em mim. 
            Vendo minhas paixões, revendo meus sonhos e revejo o que sonhei de verdade, descobrindo que era tudo mentira.
            Vendo meu nome, e enxergo o quanto nomes valem mais do que pessoas, ações e atitudes.
            Vendo minha alma, mesmo sabendo que poucas pessoas se interessam em adquirir alma, já que todos acham que tem uma.
            Vendo verdades baratas, pois eu sei o quanto custa uma boa mentira.
            Vendo muitas coisas que sei bem o valor, mas ainda não sei se o preço da dignidade é alto. Só sei que quem tentar comprar a minha vai pagar caro.  
            Mas quer saber?Após percorrer os olhos em vários classificados, hoje sei que dignidade está em baixa no mercado.
                                   
    (Victor Kane)


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