Manchas rubras brotam
Num tecido ungido por sêmen
Fragilizada menina mazela
Pernas enfraquecidas que tremem
Salgadas lágrimas quentes
Tortuoso momento indecente
Abençoado por Deus, ergue-se o homem
Sem a batina, sem os escrúpulos. Velho crente, quase impotente.
Tortura e profana o corpo de mais uma inocente
A virgindade se despede dando seu adeus melancólico
Choro inconsolado que verte pelo templo
Gritos de socorro inaudíveis, reduzidos ao simplório
Palavras de agonia entre preces, jogadas ao vento
O culto se encerra, o ritual acaba
O gozo jorra quente. Escorre. Se espalha
Menina trêmula. Levanta enfraquecida, desnorteada
Sua convicção se foi junto com a fé que nunca havia sido abalada
Úmida de suor alheio a menina chora sua profanação
Só e inconsolada, ela chora por estar batizada
(Victor Kane)

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