terça-feira, 13 de setembro de 2011

Batismo


Manchas rubras brotam
Num tecido ungido por sêmen
Fragilizada menina mazela
Pernas enfraquecidas que tremem

Salgadas lágrimas quentes
Tortuoso momento indecente
Abençoado por Deus, ergue-se o homem
Sem a batina, sem os escrúpulos. Velho crente, quase impotente.
Tortura e profana o corpo de mais uma inocente

A virgindade se despede dando seu adeus melancólico
Choro inconsolado que verte pelo templo
Gritos de socorro inaudíveis, reduzidos ao simplório
Palavras de agonia entre preces, jogadas ao vento

O culto se encerra, o ritual acaba
O gozo jorra quente. Escorre. Se espalha  
Menina trêmula. Levanta enfraquecida, desnorteada
Sua convicção se foi junto com a fé que nunca havia sido abalada
Úmida de suor alheio a menina chora sua profanação
Só e inconsolada, ela chora por estar batizada

(Victor Kane)             

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