domingo, 12 de setembro de 2010

Inspira... Expira...

            Minhas inspirações expiram.
            Somem, perdem a validade, vão-se em vão.
            Mil idéias que tinha, sumiram sem nem sequer se despedir de mim. Foram-se como prostitutas caras que dão o melhor de si numa noite boêmia e desaparecem sem se preocupar em ser encontradas por você depois.
            Musas pararam de me encantar com seu feitiço. A realidade não me surpreende mais. Desejo sensações intensas que independem de mulheres ou companheiras, mas que podem ser mais bem aproveitadas com alguém que goste de mergulhar na profundidade da vida junto comigo.
           Eu quero a chuva, o pôr do sol, o canto dos pássaros, o som das águas chocando-se contra o casco de um navio. Quero o vento gelado soprando em meu rosto fazendo-o arder de frio. Quero uma cachoeira derramando a natureza em torrentes pesadas sobre mim. Eu quero a música de um violão espanhol fazendo a trilha de uma festa cigana ao redor de uma lareira. Quero a Vida materializada em forma de gente, sugando meus lábios e me abraçando num belo campo verde ao entardecer alaranjado. Quero aquela chama intensa queimando com adrenalina dentro do meu peito, aquele êxtase inexplicável no qual você pensa em soltar um grito de felicidade diante de uma cadeia de montanhas. 
            Eu quero ser livre!

            Porra!

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