segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quem sou eu....como assim?

Escrevi esse texto esses dias quando me dei conta de que a grande maioria das redes de relacionamento, ou interação na Internet, costumam ter um tópico em sua ficha de criação de perfil dizendo: "Quem sou eu:... ". E eu, um pouco perdido por nunca saber como me definir, decidi usar o melhor dos meus piores talentos: escrever.

Quem sou eu?

Quem sou eu pra dizer quem eu sou?
É muito injusto me encarregarem dessa tarefa árdua de descrever algo de que eu nem conheço muito bem e do qual seria muito suspeito de dizer qualquer coisa.
Eu não posso dar uma resposta clara sobre o que sou, mesmo porque eu não sou uma coisa só.
Mas posso dizer que estou entre o avesso de completamente ruim e o contrário de totalmente bom.
E assim eu me busco dentro dessa ambigüidade paradoxal, torcendo para nunca me encontrar, simplesmente pra ter um caminho a seguir cheio de surpresas sobre mim que jamais esperaria descobrir, saindo da monotonia de ser um indivíduo formado de coisa nenhuma e de tudo ao mesmo tempo.
Acho que eu sou apenas um personagem criado por um escritor excêntrico que enjoa da mesmice contínua. Caminhando rumo a Lugar Nenhum ao som de uma trilha sonora oscilando entre o blues e o rock, mas sempre dou uma chance a novos ritmos que tenham história, alma e cultura impregnadas em si.
E durante essa curta estadia nesse planeta, caminhei usando uma bússola cômica, a qual me levou ao inesperado e ao diferente. Assim, aprendi que por mais que não tenhamos uma direção certa a seguir, sem saber onde é o nosso norte, o fundamental é sempre seguir em frente.
No fim, sabe, acho que eu sou só um João Ninguém criado por mim mesmo e tentando se tornar algo que nem ao menos sei. Talvez eu seja apenas o melhor personagem que eu poderia inventar, porém muito mal interpretado pelo ator escolhido para representá-lo.
Felizmente eu não sei quem eu sou, ainda bem, deve ser um tédio se conhecer tão bem a ponto de se descrever com todos os detalhes e se tornar um poço inflexível de previsibilidade.
Detesto tudo que é morno, acho a cor cinza muito enjoativa (a não ser nos dias nublados que são os meus favoritos) e neutralidade pra mim é algo tão chato quanto o equilíbrio em si.
Sou um pouco de tudo, com uma interseção entre o Nada e o Qualquer Coisa, não me importo em ser essa coisa sem forma, mas cheia de opiniões formadas e ao mesmo tempo abertas a mudanças.
Em outras palavras, não sei o que sou, mas tenho certeza do que jamais quero ser, e eu, definitivamente, me recuso a ser um “clichê”.

(Victor Kane)

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