terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Good Bye Chaos

Enfim, primeira vez que arrumo a casa em 2010.

É isso aí, tomei coragem e arrumei meu quarto antes que ele abrisse um vortex interdimensional que provavelmente iria trazer todos os males que levaria a humanidade à destruição ou que pelo menos adiantaria o Apocalipse.

Depois de ter retirado um infinidade de latas e garrafas de variados tamanhos e cores, e algumas caixas de pizza, encontrei meu dicionário. Ele estava grudado numa gosma preta junto com um copo e uma revista "Galileu". Eu viria a descobrir depois que essa gosma era o restinho de Nescau que ficou no copo e espalhou no chão se tornando uma cola de uma potência inacreditável. Pois bem, peguei o dicionário onde tive que procurar o significado de “imundície”, depois procurei “sanidade” e em seguida a palavra “mental”. Mas não cheguei a conclusão nenhuma, mesmo porque esse lance de ficar desconfiado da própria sanidade mental é coisa de doido.

Me partiu o coração deixar alguns seres sem habitat. Durante a faxina retirei um formigueiro que havia se instalado do lado do meu guarda-roupas. Encontrei debaixo de uma revista sobre saúde, uma barata morta que provavelmente morreu de desgosto, e no banheiro achei uma perereca viva que saiu vazada e conseguiu fugir pela janela depois de algumas vassouradas. Sem contar o inseto não identificado que me lembrava um bicho-pau. Azul.

Arranquei as teias de aranhas e estava quase achando que meu quarto poderia ser um cenário para um documentário do Discovery Channel sobre “cadeia alimentar” ou “sobrevivência e adaptação das espécies em meios extremos”.

Quando eu limpava o banheiro tive que lembrar, inevitavelmente, de uma vez que bebi aqui com os amigos. A recordação veio devido aos resquícios de vômito do meu amigo Ralph, que me inspirou a escrever um manual intitulado “Aprenda a Vomitar sem a acertar o Teto”, ou talvez “Pia não é Vaso Porra!”. Mas valeu o rock.

No meio da bagunça encontrei ainda, uma cartinha, três fotos, 37 reais em moedas, cinco cuecas que eu nem lembrava que tinha, uma lanterna, dois pares de meias inutilizáveis, o maldito controle remoto da TV, um celular, meu violão, 17 maços de cigarro vazios, dois maços cheios, três cadernos desaparecidos, meu copo da coca cola, uma sacola de fandangos mofada que eu nem sei como diabos veio parar aqui, quatro contas atrasadas e um prato com um pedaço do meu bolo de aniversário. Pensei que iria encontrar o juízo ou o bom senso mas ainda não terminei de arrumar tudo.

Após substituir o cheiro de amônia e suor que predominavam nesse antro do caos por um leve aroma de eucalipto e Pinho Sol, ainda sinto que falta tirar muitos outros entulhos, mas agora, sinceramente, sinto que meu quarto falta alguma coisa, algo, alguém... não sei ainda o quê. Mas falta.

Concluí então, quando eu estava tirando os dois sacos de lixo enormes que renderam a limpeza, que acho que sou a pessoa mais bagunceira que eu conheço, e devo estar entre as mais caóticas do mundo com relação a organização do quarto. É sério. Quem me conhece sabe que não é exagero.

E quer saber? Pode até ser um dos meus grandes defeitos, mas não são eles que nos tornam tão peculiares e únicos?

3 comentários:

  1. Sei de algo que pode te ajudar a resolver essas situações catastróficos e apocalípticos.

    O número da minha faxineira.

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  2. Pra que a organizaçao exista, deve haver antes o caos...

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  3. Tudo bem que tem anos que você fez esse post, mas como eu "te abandonei" aqui por um tempo, só vi agora.

    Juro que quando você me disse que sua casa estava uma zona, eu achei que você tava exagerando!

    Agora cheguei a conclusão de que você, realmente, consegue ser mais bagunceiro do que eu! E olha que meu quarto é uma constante bagunça!

    Então, é isso!
    Adoro você! ;*

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