quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Incoveniente, verdade?

Perdoem-me os que esperavam outra coisa de mim, mas eu sou o que sou.


Tenho problemas como todas as pessoas, e assim como muitas delas, tenho amigos. Amigos estes, que me apóiam quando eu preciso e sempre me incentivam a fazer o que acham que é melhor pra mim.

Conheci um novo amigo esses dias, já o conhecia de nome e me interessei muito em aprofundar nossa relação. Seu apelido era Jack. Pelo menos os íntimos o chamavam assim. Fiquei curioso com aquele jeitão sério e chamativo que ele tinha, tão desconhecido para alguns, tão enigmático para outros, mas muito famoso para todos.

Os preconceituosos que me perdoem, mas era muito, mas muito sedutor mesmo, e muitos entenderiam minha situação, e o que me levou a provar uma nova sensação que eu necessitava tomar conhecimento.

O encontrei estático, em meu quarto, como se esperasse a minha chegada de uma forma tão sensual e sublime, sempre em seus tons sóbrios que tanto encantam por onde o desgraçado passa e aquele perfume provocante que desafia qualquer homem por mais são que seja, a provar um pouco de sua essência.

Carinhosamente o abracei, e levantei meu amigo devasso com alegria, sentindo aquele peso maciço, leve para mim, pesado para muitos, bastante convidativo e reconfortante para minhas mãos que o seguravam com força.

E sucumbindo a uma tentação milenar, me entreguei e o puxei aos meus lábios, ouvindo cada som que era lançado pela sua boca dentro da minha, derramando conforto em minha língua que deixava escorrer as saborosas gotas de prazer.

Deitado à minha cama, em uma noite tão entediante, agarrei esse amigo e suguei-lhe o líquido saboroso, que me esquentava a garganta com aquele gosto forte. Fazendo minha vida ter algum sentido, mesmo que passageiro. Completando minha alma com o conteúdo que jorrava de si.

Jamais esqueceria essa experiência tão única e distinta em uma noite quente e úmida de verão. Quando lá eu estava, transpirando atormentado por desejos incompreendidos, mas orgulhosamente saciados, com meu melhor amigo: Jack Daniels.

(V. Kane)


Depois de arrancar suspiros de “graças a Deus” dos meus amigos e familiares eu deixo minhas recomendações do whisky que foi premiado sete vezes o melhor do mundo: Jack Daniels. E como podem ver, é meu favorito. Ele é diferente, feito a base de milho e assim como o famoso Jean Bean, é um bourbon. Vale a pena conferir. 

http://www.jackdaniles.com/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jack_Daniel's

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Good Bye Chaos

Enfim, primeira vez que arrumo a casa em 2010.

É isso aí, tomei coragem e arrumei meu quarto antes que ele abrisse um vortex interdimensional que provavelmente iria trazer todos os males que levaria a humanidade à destruição ou que pelo menos adiantaria o Apocalipse.

Depois de ter retirado um infinidade de latas e garrafas de variados tamanhos e cores, e algumas caixas de pizza, encontrei meu dicionário. Ele estava grudado numa gosma preta junto com um copo e uma revista "Galileu". Eu viria a descobrir depois que essa gosma era o restinho de Nescau que ficou no copo e espalhou no chão se tornando uma cola de uma potência inacreditável. Pois bem, peguei o dicionário onde tive que procurar o significado de “imundície”, depois procurei “sanidade” e em seguida a palavra “mental”. Mas não cheguei a conclusão nenhuma, mesmo porque esse lance de ficar desconfiado da própria sanidade mental é coisa de doido.

Me partiu o coração deixar alguns seres sem habitat. Durante a faxina retirei um formigueiro que havia se instalado do lado do meu guarda-roupas. Encontrei debaixo de uma revista sobre saúde, uma barata morta que provavelmente morreu de desgosto, e no banheiro achei uma perereca viva que saiu vazada e conseguiu fugir pela janela depois de algumas vassouradas. Sem contar o inseto não identificado que me lembrava um bicho-pau. Azul.

Arranquei as teias de aranhas e estava quase achando que meu quarto poderia ser um cenário para um documentário do Discovery Channel sobre “cadeia alimentar” ou “sobrevivência e adaptação das espécies em meios extremos”.

Quando eu limpava o banheiro tive que lembrar, inevitavelmente, de uma vez que bebi aqui com os amigos. A recordação veio devido aos resquícios de vômito do meu amigo Ralph, que me inspirou a escrever um manual intitulado “Aprenda a Vomitar sem a acertar o Teto”, ou talvez “Pia não é Vaso Porra!”. Mas valeu o rock.

No meio da bagunça encontrei ainda, uma cartinha, três fotos, 37 reais em moedas, cinco cuecas que eu nem lembrava que tinha, uma lanterna, dois pares de meias inutilizáveis, o maldito controle remoto da TV, um celular, meu violão, 17 maços de cigarro vazios, dois maços cheios, três cadernos desaparecidos, meu copo da coca cola, uma sacola de fandangos mofada que eu nem sei como diabos veio parar aqui, quatro contas atrasadas e um prato com um pedaço do meu bolo de aniversário. Pensei que iria encontrar o juízo ou o bom senso mas ainda não terminei de arrumar tudo.

Após substituir o cheiro de amônia e suor que predominavam nesse antro do caos por um leve aroma de eucalipto e Pinho Sol, ainda sinto que falta tirar muitos outros entulhos, mas agora, sinceramente, sinto que meu quarto falta alguma coisa, algo, alguém... não sei ainda o quê. Mas falta.

Concluí então, quando eu estava tirando os dois sacos de lixo enormes que renderam a limpeza, que acho que sou a pessoa mais bagunceira que eu conheço, e devo estar entre as mais caóticas do mundo com relação a organização do quarto. É sério. Quem me conhece sabe que não é exagero.

E quer saber? Pode até ser um dos meus grandes defeitos, mas não são eles que nos tornam tão peculiares e únicos?